02 de Fevereiro de 2011

UM CASTELO ILUMINADO 2

 

 

 

Ainda nos príncipios do século vinte se cultivava muito trigo na Graciosa e os campos assim cultivados, em Julho, davam uma pincelada dourada à paisagem a contrastar com o verde das vinhas, mas davam também, mais tarde, a abundância e o desafogo às gentes da Ilha Branca. Era costume, então, ir levar o trigo excedente à Comissão, o depósito regulador de cereais.

Certta vez o Lucas e o José, dois vizinhos que viviam na Canada do Manuel Gaspar, no Guadalupe, levantaram-se de madrugada para irem levar o trigo. Jungiram os bois ao carro, carregaram o trigo e puseram-se a caminho. Iam pela Canada da Missa fora, era ainda de noite. Tinham decidido ir assim cedo para se desembaraçarem depressa, porque mais tarde começava a vir muita gente com trigo e dava muita demora para quem ainda queria aproveitar o dia para fazer outro trabalho.

Lucas ia a pé, conduzindo os bois coma aguilhada na mão, pensando na vida. O José, em cima do carro, tinha tempo para ir olhando a paisagem, embora o escuro não o deixasse ver muito. Por vezes trocavam algumas palavras e logo caíam no silêncio da noite.

A certa altura o José olhou para os lados da Terra do Conde e o que havia de ver: um lindo castelo, todo, todo iluminado. Ficolu maravilhado e durante algum tempo manteve-se a olhar para a visão inesperada. Não teve palavras nem tempo para contar o que via a Lucas que, naquele momento, olhou para trás e deparou-se coma mesma visão. Logo exclamou, com a voz transtornada pela emoção ou pelo medo:

-Vês? Que coisa linda!

Mal acabou de pronunciar estas palavras, tudo desapareceu, tão depressa como tinha aparecido perante os seus olhos.

O Lucas e o José comentavam o acontecimento entre si e afirmavam que era um baile de feiticeiras. Passaram oresto do caminho a olhar para os lados da Terra do Conde, mas não viram mais o castelo que tanta admiração lhes tinha causado.

 

Ângela Furatdo Brum

publicado por fupg às 23:27

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