12 de Maio de 2010

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UM CASTELO ILUMINADO - 2

Ainda nos príncipios do século vinte se cultivava muito trigo na Graciosa e os campos assim cultivados, em Julho, davam uma pincelada dourada à paisagem a contrastar com o verde das vinhas, mas davam também, mais tarde, a abundância e o desafogo às gentes da Ilha Branca. Era costume, então, ir levar o trigo excedente à Comissão, o depósito regulador de cereais.

Certa vez o Lucas e o José, dois vizinhos que viviam na Canada do Manuel Gaspar, no Guadalupe, levantaram-se de madrugada para irem levar o trigo. Jungiram os bois ao carro, carregaram o trigo e puseram-se a caminho. Iam pela Canada da Missa fora, era ainda de noite. Tinham decidido ir assim cedo para se desembaraçarem depressa, porque mais tarde começava a vir muita gente com trigo e dava muita demora para quem ainda queria aproveitar o dia para fazer outro trabalho.

Lucas ia a pé, conduzindo os bois coma aguilhada na mão, pensando na vida. O José, em cima do carro, tinha tempo para ir olhando a paisagem, embora o escuro não o deixasse ver muito. Por vezes trocavam algumas palavras e logo caíam no silêncio da noite.

A certa altura o José olhou para os lados da Terra do Conde e o que havia de ver: um lindo castelo, todo, todo iluminado. Ficolu maravilhado e durante algum tempo manteve-se a olhar para a visão inesperada. Não teve palavras nem tempo para contar o que via a Lucas que, naquele momento, olhou para trás e deparou-se coma mesma visão. Logo exclamou, com a voz transtornada pela emoção ou pelo medo:

-Vês? Que coisa linda!

Mal acabou de pronunciar estas palavras, tudo desapareceu, tão depressa como tinha aparecido perante os seus olhos.

O Lucas e o José comentavam o acontecimento entre si e afirmavam que era um baile de feiticeiras. Passaram o resto do caminho a olhar para os lados da Terra do Conde, mas não viram mais o castelo que tanta admiração lhes tinha causado.

 

Lendas e Outras Histórias de Ângela Furtado Brum

publicado por fupg às 12:16

 

A FURNA DA MARIA ENCANTADA - 1

Há muitos anos atrás, havia um casal que vivia na zona onde hoje é a Caldeira. Era uma família de posses, com a sua casa e muitos animais domésticos, como era costume então nas casa de campo: vacas, cabras, galinhas e galos, os quais ou ajudavam no trabalho do campo ou davam matérias primas para o vestuário ou serviam de alimento.

Era uma alegria ouvir o galo cantar durante a madrugada, quando a paz alastrava pelos campos, a lua coalhava a casa de uma luz suave e os restantes animais descansavam, espalhaddos pela serra.

Mas, um certo dia, a horas estranhas, o galo começou a cantar de maneira diferente e com insistência, o que chamou a atenção de Maria, a dona da casa. Cantou assim durante três dias e, escutando bem, percebia-se o que o galo dizia em som estridente:

-Foge, foge! Foge!

Maria compreendeu aquilo como um aviso e insistiu com o marido para que saíssem dali. Ele porém, não acreditou no que a mulher lhe dizia e recusou-se a que deixassem a sua casa e os seus bens. Ficaram, por obediência ao homem que era o chefe de família. Mas Maria tinha a certeza de que alguma coisa iria acontecer.

Passados alguns dias, a terra começou a tremer. Botou de si para fora um mar de fogo, lava e pedras. A paisagem ficou totalmente alterada. No lugar onde rebentou o vulcão apareceu a Caldeira e no sítio da casa de Maria formou-se uma furna. Toda a família desapareceu e Maria, que tinha acreditado no aviso, ali ficou encantada para todo o sempre com as suas trêrs filhas: Roda, Maria e Madalena.

No facho, um monte que faz parte da Serra da Caldeira, Maria apascentou os seus rebanhos. Protegia muito bem os seus animais e, sempre que se ouviam latidos, Maria Encantada descia da serra, vestida de trapos, toda esgadelhada, para correr com os cães que lhe queriam comer as ovelhas.

Maria Encantada também tinha as suas galinhas que eram as gaivotas, segundo dizia a rapaziada dos Fenais e de outras zonas do lado nascente da ilha Graciosa. Ninguém se atrevia a tocar-lhes com medo.

Muitas vezes a criançada, receosa, abeirava-se da furna e atirava pedras lá para dentro. Então ouvia-se um som de cacos: era a louça da Maria a quebrar-se. Mas como castigo, as crianças, que percorriam descalças os carreiros que conduziam à serra, davam topadas e feriam os dedos dos pés nas balas de Maria Encantada.

Às vezes, quando o tempo estava bom e o sol quentinho, via-se estendida a roupa que Maria lavava.

Para se alimentarem, Maria Encantada cozia o seu pão e, nessas ocasiões, a Caldeira aparecia toda coberta pelo fumo do queimar da lenha.

Quem não tiver medo pode, ainda hoje, entrar na Furna da Maria Encantada, indo pela Canada da Furna à direita, antes de chegar ao túnel que dá acesso à Caldeira. Aí verá muitos vestígios dos objectos que ela usou, tais como a pá do forno e a peneira, decalcadas no tecto de pedra.

 

Lendas e Outras Histórias de  Ângela Furtado Brum

publicado por fupg às 11:56

04 de Maio de 2010

 Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe (Guadalupe) - Século XVIII

 

 

Ermida de Nossa Senhora da Ajuda (Santa Cruz) - Século XVI

 

 

 

A crise sísmica de 1717 deu origem a um voto popular, que ainda hoje se cumpre no dia 24 de Maio de cada ano, o de realizar uma procissão com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe entre a respectiva igreja e a Ermida da Ajuda, no monte sobranceiro à vila de Santa Cruz, onde é celebrada missa, regressando depois o cortejo à Igreja do Guadalupe. Este voto popular leva toda a ilha a deixar o seu trabalho na manhã do dia da procissão, que depois do terramoto de 1980 voltou a ganhar grande fervor popular.

Este ano a procissão realiza-se no dia 25 de Maio, por o dia 24 ser a segunda-feira de Espírito Santo, que é o dia da Autonomia.

 

publicado por fupg às 00:19

03 de Maio de 2010

FUPG - Piquenique Verão 2009

 

 

A juventude da FUPG.

publicado por fupg às 23:57

FUPG - Piquenique Verão 2009

 

 

Momentos de pura diversão.

publicado por fupg às 23:52

 Papa Bento XVI em Portugal, tolerância de ponto a 13 de Maio

 

 

 

O Governo vai dar tolerância de ponto a todos os trabalhadores da Administração Pública no dia 13 de Maio por ocasião da vinda de Bento XVI a Portugal. Tolerância de ponto aos funcionários públicos em Lisboa, na tarde do dia 11 de Maio, e aos do Porto, na manhã do dia 14 de Maio.

A visita do Papa Bento XVI inicia-se em Lisboa no dia 11 e termina dia 14 no Porto, com o ponto alto desta visita a passagem por Fátima.

publicado por fupg às 23:43

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